sagrado
Perdida no Caminho!
Perdi o objetivo…
O que eu queria mesmo quando ingressei por essas trilhas?
Era em busca de quê, que eu caminhava com tanta garra e vontade?
Perdi o sentido da vida.
Virei-me para fora, tão para fora que não vejo mais o lado de dentro.
Tirei a imperatriz do trono, dei uma mochilinha, um cachorro, umas tranqueiras e coloquei pra caminhar… Estou sem governo, a imperatriz louca andando em círculos e o caos instalado dentro de mim.
Mantenho sem querer perceber o que de tanto querer apaguei, anestesiei.
Imperatriz drogada e anestesiada, assim ela não percebe o grande ciclo em que se encontra.
Mas por que foi que ela abandonou o trono?
Esse é o problema, não da pra sair do circulo sem saber pra onde Está indo.
Tudo hoje se resume em materializar a vida, de onde veio isso, meu Deus sumido no caos?
Antes eu queria encontrar Deus, ser um com ele, transcender, achar um sentido pra vida. Hoje o discurso é o mesmo, mas eu só penso na vida, não em Deus.
Não me permito desencanar da vida e seguir rumo à dissolução.
Vivo na confusão, sem direção…
A imperatriz tão desconectada da sacerdotisa não mais acredita na força de sua realeza, esqueceu-se do seu mundo seu cargo e seu trono, vestiu a mascara de mendiga…
E não é que um deus pode ser mesmo um mendigo. Ai está. Fato!
O imperador no meio disso tudo grita como um louco querendo o Poder/Foder, mas também, coitado, não sabe pra que.
Uma vez que nesse caos todo não sobra energia suficiente pra ele construir nada… Fica lá sentado mandando em desmandando, ao lado do trono vazio… Sem que, no entanto nada de real faça… Às vezes nem percebe a ausência da imperatriz… Esqueceu no baú suas ferramentas de mago… Ainda ostenta a coroa, como se de algo lhe valesse.
Louco, louca, todo mundo louco e perdido…
O Hierofante, com seus olhos esbugalhados de tanto olhar para o outro, esta lá na confusão também, todo solicito, todo humilde, trabalhador incansável, sempre pronto a atender aos pedidos de socorro vindos do mundo de fora.
Já que seus talentos não estão sendo usados também pra si, perdeu o sentido da vida, fechou seus ouvidos, só sabe falar. Mas é o escravo com mais liberdade, acredita não estar preso na bagunça, ele vive a ilusão da fuga do amor ao próximo… Lá ele caminha… Cada um na sua…
E eu vendo isso sem saber quem socorro primeiro… Pobres crianças, cegas e sem carinho.
Como posso começar o caminho de novo, se louco estão todos…
Ate sei o que deve acontecer, teoricamente a imperatriz precisa voltar para o imperador, para que ambos sejam ao mesmo tempo mago/imperador, sarcedotisa/imperatriz… Mas como fazer o hierofante me indicar um caminho se ele só olha pra fora agora?
Nem sei mais se acredito em sagrado, seja anjo, seja deus, seja copo, seja arvore…
O que é sagrado sem alguém para sacralizar? Meu corpo é sagrado? Quem disse? Quem o fez sagrado que não da as caras, mas dá as cartas…
Minhas emoções também obviamente não são sagradas, qual o conceito de sagrado?
Vejamos, sentir dor ao invés de prazer, isso é sagrado? Não, destrói o corpo… Como pode ser sagrado se dessacraliza o que deveria ser sagrado?
O que tem de sagrado em tudo o que penso?
O que tem de sagrado no fato de vender a imagem do deus? E nem assim, onde está mesmo o deus pra eu vender???
É pra mim horrível escrever isso. É assinar o estado de nula contemplação.
A diferença entre eu e eu/louco é que o louco tem a inocência aliada à crença de que tudo vai dar certo. E eu?
Eu nada… Nada sai de coerente do caos interior.
Sem a inocência, é tudo conhecido, assimilado, tatuado, ferido, cortado e marcado.
É como escutar um provérbio, você já sabe como vai acabar. Eu já sei de tudo isso e mesmo assim de nada serve.
Ta aqui o puro observador narrando e mesmo assim sem nenhuma idéia genial.
E é isso, cansa-me girar no mesmo contexto. Enfadonho momento…
E um “Viva” murchoso para as descobertas sem alterações…
E um “Cansei” sem força, cansei de ser borboleta… Cansei de rodar… Cansei da imperatriz louca… Do imperador megalomaníaco, do hierofante orgulhoso, do mago acomodado, da sacerdotisa inutilmente velada, cansei principalmente do louco, essência de todos…
Onde está deus?
Quebrei o “Eu” em pedacinhos, mas mesmo nos espaços do “Eu”, habita o vazio. E se o deus for esse que observa, este que vos fala, a busca se encerra.
E que merda, era pra isso?
Pensamento em suspenso
Vou colocar meu corpo desacralisado exposto ao sol.
Quem nasce quando morre a borboleta? Cinzas da borboleta morta e mais um vazio.
A borboleta que não é o reflexo do sol, não sou uma menina pulando com asinhas nas costas… Asa de borboleta cega e eu adorava coçar meus olhos com minhas asas, enquanto minhas mãos se ocupavam em fazer bolinhas de sabão…
Eu acreditava no sagrado!

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