Algodão Doce

•07-dezembro-2008 • 3 Comentários

Eu fico sempre sem saber como descrever emoções felizes… Eu que tão acostumada a lamentos, quando o uivo interior é uma gargalhada de orgasmo, fica tudo sem sentido…

Já não tenho mais angustias e dor, e as emoções que tomam meu eu, são fofas, e bregas…

É difícil não ser brega quando se é movimentado pelo amor… Eu queria descrever o amor como um Chico… Queria transformar essa emoção em poesia… Poesia não, prosa sem rima e sem rotina… Expressão diária do amor… Mas fica tudo em mim e de mim não sai.

É um vazio de palavras, e por mais palavras que eu conheça nenhuma, nem muitas conseguem colocar a verdade no papel… Talvez o amor seja isso mesmo, indescritível por natureza.

Talvez a palavra “amor” tenha em si a capacidade de expressar todo o sentimento de um coração que só pulsa feliz… É um nariz que só que sentir um cheiro… É uma língua que só quer sentir um gosto… É uma pele que quer o tempo todo se enroscar naquela outra pele.

É a exclusividade dos sentidos… É a cabeça que só quer saber de um pensamento, é um vicio…

O amor é o vicio mais procurado… O vicio mais desejado… E eu… Graças dou ao universo na forma do Hierofante, por ter me viciado… Sim… Estou viciada.

Acordo tateando a cama e procurando o toque da pele… É real… Você está aqui… Abro os olhos e tenho a visão mais linda do mundo… O amor dorme ao meu lado.

E olho para o que escrevi e falta… Falta a capacidade de descrever a emoção…

Quero falar dos giros e contornos, dos músculos e dos dentes… Do sabor e das cores…

Qual o sabor do amor? Eu penso sempre em algodão doce…

Um dia, enquanto o amor estava nascendo eu comi algodão doce na ânsia de experimentar o que ainda em mim era prisão. Uma forma de não deixar morrer na escuridão essa emoção que eu já a muito renegava… E comer algodão do seu lado era como comer uma nuvem cor de rosa e lamber os dedos na expectativa… Lambia os dedos e o açúcar ia derretendo em contato com minha saliva… E queria te dar um beijo rosa com sabor de nuvens… Um beijo leve que nos jogasse num tumulto de corpos e odores em movimento… Um beijo que quebrasse o medo…

Hoje o medo é motivo de riso, e o beijo… Aconteceu!

O depois é conto de fadas… E todo mundo sabe como acaba…

Quando uma Borboleta se apaixona!

•20-novembro-2008 • 1 Comentário

Quando eu era uma lagarta, vivia me rastejando pelo chão, sempre a espera de um novo que eu não conhecia. Sabia que um dia as coisas mudariam, era sempre assim com minhas amigas lagartas, um dia estavam pelo chão, noutro sumiam… Então eu sabia que um dia eu também sumiria… Fosse isso a morte, fosse isso uma nova vida, um dia eu sumiria.

Hoje me lembro de pensar e pedir muito ao deus das lagartas, deus cruel esse que faz a gente se arrastar pelo chão em pânico, medo de ser pisado pelos gigantes matadores de lagartas, mas como era o único deus que eu conhecia, era á ele que dirigia minhas preces…

Lagarto pai, olha por mim, eu to toda ralada, e cansada de dar um passo depois do outro, andando sem rumo, pelo chão dessa metrópole… Pai ouve meu lamento, concede um pouco de felicidade á essa sua filha. Pai… Eu que me deixo levar pelo destino traçado e aceito minha insignificância, peco, não tarda a me tirar dessa vida. E, obrigada pai, pela esperança que nunca me abandona.

Um dia me descobri num casulo. O processo de casulo é difícil de descrever… Não lembro direito como foi feito, se eu fiz ou se eu já era o casulo… a única recordação que tenho é da sensação que antecede o estar preso. A desistência.

Um dia eu desisti. Não perdi a fé, mas desisti de pedir. Percebi que eu tinha prolongado meu destino de lagarta de tanto pedir ajuda… Eu só tinha que ver que aquela minha vida tinha ficado pra trás. E mais, agradecer ao meu deus por perceber isso quando ainda tinha tempo. Tempo para a redenção!

E me vi dentro do casulo… Pensei… Agora eu to quentinha, protegidinha, dentro desse quartinho… Nada me falta, por que nada quero. Sim, a experiência do “eu me basto”.

Eu me bastava e me aquecia, e me amava… e ia esquecendo os dias infindáveis de perigo que havia passado. Claro que não queria sair do casulo, eu me bastava. E foi então que me curei. E esqueci. Um dia uma luz entrou pelo casulo, eu pensei, mas como? Que luz é essa que invade assim meu mundo de proteção e aconchego? Que luz é essa que me cega, depois de tanto tempo no escurinho? E tentei fugir… Me esconder dentro de mim e não ver a claridade tomando conta do meu pequeno mundinho, onde reinava absoluta.  O que de mim nascia e para mim se dirigia… E daí’? Eu me amava sim, qual o problema? Mas quando eu me acostumei com a claridade, passei a ter noites de vigília intensa e insônia pura, esperando o sol nascer e a luz me aquecer. Me percebi esquecendo o quanto era bom ficar tranqüila no quartinho escuro, esqueci do quanto era bom viver o amor em mim e pra mim… Comecei a amar o sol. Foi só ai, quase como um milagre, me descobri transformada… Meu deus! Pensava… Que deus é o meu? Já não sou lagarta, nem sei o que eu sou… A quem dirijo minhas orações? Tinha uma coisa estranha acontecendo com o meu corpo e o medo de morrer foi grande. Senti a dor da falta de coragem, dor latente, inesquecível… Corroendo minhas tentativas de sair do casulo. Sim sair sim, por que naquele momento o casulo mais significava uma prisão, do que um lar… Eu queria era sentir o sol inteiro nesse corpo, ate então desconhecido meu.

E a força pra romper o casulo? E o medo de me queimar no sol sem a proteção do casulo… Mas como sentir o sol dentro do casulo? Eu olhava para o sol e pedia ajuda. O casulo era úmido e as paredes esticavam, eu pedia força para romper o casulo.

Fiz buraquinhos para o sol entrar e aquecer meu corpo preso. E ele entrava pelas frestas e em fugidios momentos eu sentia na pele o calor… e queria mais… e mais…

Quando eu já estava pensando que ia viver pra sempre assim, entre o desconhecido e o conforto perdido, fez um dia muito quente… Desses que a gente não esquece… Que secou toda a umidade do casulo… Meu deus eu pensei… É hoje… É hoje que eu saio daqui. Aquele calor todo dava medo… Eu que tão acostumada ao quente e úmido mini útero, ser assim surpreendida por tanto calor.

Enquanto estava ainda tentando digerir tudo isso… Escutei um crec… E outro crec… E outro crec… Ainda sem saber o que isso significava, e com mais medo ainda, percebi que tudo estava ruindo ao poder do sol. Eu pensei, é agora ou nunca…

Hoje eu estou aqui contando isso e pensando, como é difícil descrever a paixão da borboleta, e me perguntando… Quando foi o momento exato em que o casulo se quebrou e o sol enfim me banhou? E chego à conclusão que a magia é o instante/já.

Aconteceu, acontece e acontecerá… Sim… Aconteceu…

E foi mais ou menos assim que Borboleta  se apaixonou pelo Sol…

Girassóis

•12-novembro-2008 • Deixe um comentário

Hoje acordei com um brilho diferente… Um raio solar que driblava as cortinas e aquecia uma pequena faixa do meu rosto.

Abri meus olhos e cega com o carinho percebi meu mundo diferente.

Uma sensação de prazer que meu corpo a muito não sentia. Espreguicei-me tal qual uma felina, ativei meus bigodes e afofei não a cama, mas a mim mesma… Hoje me amei.

Penso… que luz é essa que me acorda com um brilho, corri para a janela, num movimento nem um pouco delicado, esquecendo as boas maneiras, abri as cortinas.

E a luz me tomou por inteiro, cega, eu podia sentir-me, ai meu deus, é isso estar viva.

Cada pedaço meu era aquecido e tomava vida, minha pele sentia, meus pelos sentiam, meus bigodes arrepiados, eu sentia… E me sentia bem!

Pra que olhar, por que não conservar a sensação? Ai meu deus quantas duvidas? Melhor fechar a janela para na estragar tudo… Ai meu deus… Ai meu deus… Abri os olhos.

Um girassol?!? Um girassol. Como assim um girassol? De onde veio isso? Um girassol? Pronto! Acabou a sensação e veio a nóia… De onde saiu esse girassol? Pensei, pensei, pensei e… Pensei.

Não sei. Pode ter sido um passarinho afobado que deixou cair uma semente. Mas que importa? É um girassol.

Às vezes penso que o Universo presenteia a gente com aquilo que mais queremos, é um pai meio severo, testa cada um a seu modo. Se você não desistir, ele te dá.

Desde criança eu sempre tive a fantasia de que teria, um dia, um girassol na minha janela, que eu acompanharia a direção do sol seguindo o girassol.

Enquanto me deliciava e agradecia o presente, eu vi o passarinho que semeou meu girassol.

Dei uma piscadinha, de agradecimento e vi que o Universo às vezes pode assumir formas estranhas para te presentear… Dei adeus ao passarinho por que sabia que agora eu mesma teria que cultivar meus girassóis.

Meu coração acordou o calor depois de não sentir nada, durante um longo inverno, igual a um urso que hiberna para conservar energias… Meu coração acordou faminto pela vida… E meu corpo respondeu só se for agora!

E nossa, quanto jardim eu tenho pra plantar, a terra arada, úmida e nutrida… Um novo jardim na minha janela, sem ervas daninhas.

No meu jardim, agora só girassóis, todos brilhando a luz do sol.

Quero ficar cega sim. Cega e aquecida. Cega e nutrida. Cega brilhando ao sol.

Esta aberta à temporada de verão, que se quebrem os casulos, que as borboletas voem, que os anjos encontrem suas asas…

Que eu encontre o amor.

Peça e te será dado.

Kulpah

•12-novembro-2008 • 1 Comentário

Era uma vez, uma cidade chamada Kulpah

Lá o tempo anda rápido e para chegar onde quer que seja deve-se correr, pois a probabilidade é de sempre estar atrasado… Algumas vezes eu canso e simplesmente paro, mas isso é contra a lei em Kulpah, parar nunca.

Em Kulpah não há descanso, os habitantes estão sempre em movimento, percorrendo as ruas e vielas de pedras quentes que em tudo lembram fogo em brasa.

Arquitetura interessante, tudo ali é escuro, o clima sempre úmido e quente.

Não, engana-se quem pensa que Kulpah se ilumina. O sol não ilumina Kulpah e o todo calor vem dos habitantes.

Ali todo mundo vive com a temperatura elevada, o coração disparado e perdido entre o tempo e o caminho. As ruas sempre estreitas e cheias de limo, as casas cobertas de mofo, paredes e muros também cobertos de limo…

Descobrir um caminho pra sair de Kulpah é a principal ocupação dos moradores, o prefeito sabe disso e como não pretende governar pra uma cidade deserta, impõe severas penas a quem tenta sair.

A pior delas é trancafiar o condenado em um labirinto espiral, só ele e sua culpa subindo e descendo, sentindo e re-sentindo sempre a mesma coisa, obsessivamente o mesmo caminho. Mesmo assim todos querem sair, todo mundo tenta.

É uma tarefa hercúlea, como diria uma vez um dos primeiros ditadores, um sujeito certinho e metódico. Transformou Kulpah em um inferno com regras pra tudo e tudo levava sempre ao centro cidade. O centro foi ficando super lotado, as grandes famílias foram se mudando pro centro e com isso toda a sua linhagem se alojou por lá também.

O centro cresceu o quanto pôde, mas logo os moradores não conseguiam andar pelas ruas pequenas demais pra tanta gente… Esse império estava crescendo tanto que poderia invadir as outras cidades ao redor e todos ali sabiam que isso significaria a derrota de todo o mundo. Kulpah seria como Roma e nem mesmo os habitantes de lá suportariam viver nesse Ser.

Um dos problemas de movimentação daquele centro lotado eram os glóbulos oculares virados pra dentro, fazendo os kulpahdos se guiarem tateando tudo a sua volta. As grandes famílias “sangue real” eram reconhecidas pela natureza da sensação que causava em que os tocasse. Por isso não havia muita miscigenação.

Os filhos e descendentes da quatrocentona Mhedoh Panih, acabavam sempre se casando com Hangust Cooo, repeliam os da família Irah, um problema. Ninguém consegue chegar perto dessa família, não por menos está quase extinta. Eles já foram bem numerosos, hoje são poucos, em numero suficiente para Kulpah inteira ficar sempre alerta para o caso de tocar um Irah.

Foram tantas uniões entre os Panih e os Cooo que já são considerados uma família de elite, os Panihcooos. Com temperamento interessante, correm o tempo todo, mas não conseguem lembrar de um caminho. Eles tremem muito e a voz é um não sei o que entre sussurro, lamento e gemido. Arrepiante de se ouvir vem das profundezas do Medoh mesclando as palavras entrecortadas e cheias de ar, característica dos Hangust.

Enganado está quem pensa que os prefeitos descendem de alguma família, o prefeito é sempre alguém de fora.

Ninguém em Kulpah sabe ao certo como um prefeito é escolhido ou substituído. Ele um dia está lá. E os kulpahdos só descobrem isso quando as mudanças na cidade começam acontecer.

Existem várias entradas pra Kulpah, mas a saída está sempre mudando de lugar, por isso é tão difícil sair. Os banidos já chegam prontos pra ficar. Com os olhos voltados para dentro saem tateando a saída, mas existem os que quando chegam ainda tem o corpo da cidade natal. O único problema é que em Kulpah as naturezas não se mostram, cada um está olhando pra dentro até que você começa a olhar pra dentro também. Esse foi o erro de muitos visitantes corajosos e loucos perdidos. E continua até hoje…

Se conseguir virar a órbita pra fora você enxerga que tudo em Kulpah é sensação e o caminho é indicado com grandes letras em neon “Saída”.

Universo em Encanto

•05-novembro-2008 • Deixe um comentário

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Ódio

•05-novembro-2008 • 2 Comentários

A pouco descobri o ódio.

Engraçado que foi justamente pelo ódio que percebi o amor.

Passei tempos imemoráveis defendendo o amor como a bandeira da nova vida. Amor é a Lei… amor isso, amor aquilo… E  não entendia o amor. Cruelmente o meu espelho se mostrava tão óbvio que eu não queria acreditar.

Um dia desses, descobri que tudo na vida é a busca pelo amor…  Fiquei estarrecida, tudo o que eu pensava acabava em um pedido de amor… percebi que vivia um constante monólogo curto e nada criativo, que se resumia em…”Me ame!”.

Se eu te procuro, estou dizendo …Me ame.

Se eu te nego eu estou dizendo …Me ame… Me ame o tempo todo… Achei ter descoberto a pólvora.

Oh! como sou inteligente… tudo é uma questão de amor…

Me enganei.

Não era o amor que me motivava e sim o ódio. Já que era incapaz de odiar o outro eu achava que não tinha sentido esse sentimento ultrapassado… Eu não.

E engoli os maiores absurdos sempre justificando que era por amor… Você me despreza… É a sua maneira de me pedir… Me ame. E eu te amava.

Você me humilha… É amor… E eu te amava.

Fui vivendo esse “amor” até que um dia lendo um texto de Sarah Kane fiquei catatonica ( me perdoem os partidários da não catatonia e dos “pós” moderno, literário, dramático… tudo em geral…) sim, catatonica.

No texto não existe a menor possibilidade de redenção.

E por não existir redenção eu encontrei a minha. Ainda há tempo. Difícil admitir que a partidária do amor, vivia o ódio vestido de “amor incondicional”. Eu sempre achei que o amor era incondicional, que devia aceitar as pessoas como elas são ( tem até música … as pessoas como elas são) e descobri que toda essa minha pasmaceira emocional, esse sangue de barata era na verdade um profundo, arraigado e desconhecido ódio.

O ódio por mim mesma… Percebi o quanto eu menti pra mim esse tempo todo.

Onde eu dizia eu te amo assim como você é, eu estava dizendo, na verdade, eu me odeio e você é a ferramenta da minha própria punição.

Tão difícil admitir isso, tão difícil explicar o quanto isso modificou meu universo.

E antes que eu não tivesse nenhuma possibilidade de redenção, eu optei por mim. Vou me amar nem que seja na porrada! Vou me amar nem que pra isso eu tenha que me amarrar no pé da cama pra não correr em busca de uma nova humilhação. Vou me amar e pronto.

Posso nao saber o que é amor, mas já sei o que é ódio.

Já é um começo …

Verdade Rasgada

•11-junho-2008 • 4 Comentários

Escreve, Borboleta, escreve… Palavras cruas, desnuda a alma, escreve Borboleta, não pensa, deixa fluir, vai soltando… Sobre o que? Sobre tudo, sobre o mundo, o que é o mundo… Pequeno mundo delicado e cruel… Escreve Borboleta… Escreve pra você olhar através da barreira, escreve a alma, escreve com alma, escreve com calma… Escreve… Traga.
A fumaça entra e sai e as teclas convidam a um amargo som, com ritmo se faz musica, sem ritmo a insegurança… Escreve…  Depois corrige, bate nas teclas com fúria e não consegue colocar pra fora a ira … O desrespeito, a magoa, o desapontamento.  Escreve, está com medo… Sim esta, batuca os dedos no teclado mas não abre o jogo.. Coloca em palavras o pensamento, trás pro mundo.
O que? Meu deus o que eu tenho que trazer ao mundo, o que meu deus, o que?
Sou um ser maluco com mania de grandeza um Hitler às avessas, mas não o Hitler, apenas um entre tantos malucos que cismam ser uma coisa… Será? Ou sou alguém que veio aqui fazer o que?
Meu deus, fazer o que?
Será que se eu conhecer meu sagrado eu precisarei de todas as ferramentas dia após dia, sem nunca avançar?
Silenciosa agonia? Silenciosa dor… Será que meu ego ate aqui manda, não falo o que não quero que seja publicado?
Dor silenciosa dor… Lamento preso, garganta contraída, incerteza e desanimo…o meu desanimo não é em duvida de quem sou e sim por que sempre amo quem não me vê.
E talvez eu não esteja sendo justa, mas tenho a tendência de justificar sempre o outro.
Será que estou sendo cruel, ou só me interesso por pessoas que vão me detonar? Talvez seja mesmo esse o padrão, nunca ser digna de admiração daqueles a quem amo… A antiga admiração vai se perdendo… Tudo o que eu falo se perde na arrogância alheia… Dói, e dói o orgulho ferido, dói a injustiça. Dói pensar que nada do que eu fiz é valorizado, é como se jogasse a minha alma fora e colocasse uma inútil no lugar… Eu só vivi magia na vida… Eu só busquei o encontro com o algo mais… Eu batalhei a guerra dos desconhecidos, a dor do desconhecimento, paga da ignorância.
Mas to viva. Sobrevivi a mim mesma, sobrevivi a todas dores auto impostas, toda crueldade que sou capaz de alcançar, 9 espadas enfiadas em mim…
E onde foram parar as certezas, como argumentar o impensável?
Como explicar o simples?
Como falar da importância de sentir, de estar presente, no hoje.
Destruo-me nos tempos, me perco no futuro, me aprisiono no passado, e tudo isso por quê?

Em busca da simplicidade

•14-maio-2008 • 1 Comentário

Eu devia voltar á busca da simplicidade…
A palavra certa na hora certa…
Eu quero meu destino de volta, eu quero sucesso no meu Caminho e mais quero saber que Caminho é esse.
Hoje estou pronta pra descobrir o que vim fazer e pronta pra abandonar o resto. Cansei do ego, mas quero a certeza, não mais a direção. Pra que eu possa colaborar com o universo… Se eu parar de bancar a dona de tudo e ficar vivendo a maneira que eu cansei de ensinar os outros a viver, eu posso aprender e ensinar. Agora eu quero falar da alegria e do sucesso com as pessoas; experiência da dor eu já tive. Já sei como falar da dor e me juntar à dor alheia, já sei criar o distanciamento necessário pra ser honesta… Mas como posso aconselhar as pessoas a se realizarem se eu própria ainda não sou realizada?
Quero meu sol hoje, amanhã, depois e depois e sempre brilhando e trazendo luz e calor, mostrando os raios solares de cada um. As palavras são vãs sem a realização. A melhor maestria consiste em Ser, pra que cada um possa buscar o seu Ser.
O mundo é de espelhos, quero ser o espelho que mostre o outro, quero que as pessoas despertem pra seu próprio caminho e alcancem a luz. Onde eu estou?
Perdida na escuridão entre o saber intuitivo e o desconhecer factual.
Além do mundo das “?”, eu num fundo negro com “?” coloridas para tudo o que é intuição. Minha capacidade de raciocínio ficou alienada em meio a tantas interrogações.
Há certezas? 32 anos, princípio de que?
O medo de dar um chute maior ainda para o alto. Eu chuto a realidade, mas não chuto minhas convicções. Aliás minhas não, é o modo contínuo do agradar sempre… Deixar o outro feliz, mas eu nem sei qual é minha felicidade.
Pessoa sem ideal: no lugar dos meus sonhos, coloquei a obrigação de ser perfeita para o outro. Para ser aceita, é claro, no fundo da minha arrogância, eu tenho o impulso da carência. O medo do abandono, de não ser digna de amor. E talvez eu não seja mesmo. Quem é digno de amor? Eu vivo a farsa da persona ideal. Quem vc quer que eu seja?
Hum! Se eu descobrir, serei. Aí é perfeito, pisciana veste a máscara com perfeição, se mutila para caber no papel ideal. Talvez eu seja atriz na tentativa de viver só no palco a vida que eu, por sina ou sinal, vivo.
Talvez seja mais fácil ser o fetiche alheio á ser uma personalidade. Aliás, não; eu sou uma personalidade, o camaleão escravo. Escravo do outro.
Conflito.
Tontura e interrogação.
Rainha de espadas vence o passado e não sabe viver o presente.

sagrado

•07-maio-2008 • Deixe um comentário

Perdida no Caminho!
Perdi o objetivo…
O que eu queria mesmo quando ingressei por essas trilhas?
Era em busca de quê, que eu caminhava com tanta garra e vontade?
Perdi o sentido da vida.
Virei-me para fora, tão para fora que não vejo mais o lado de dentro.
Tirei a imperatriz do trono, dei uma mochilinha, um cachorro, umas tranqueiras e coloquei pra caminhar… Estou sem governo, a imperatriz louca andando em círculos e o caos instalado dentro de mim.
Mantenho sem querer perceber o que de tanto querer apaguei, anestesiei.
Imperatriz drogada e anestesiada, assim ela não percebe o grande ciclo em que se encontra.
Mas por que foi que ela abandonou o trono?
Esse é o problema, não da pra sair do circulo sem saber pra onde Está indo.
Tudo hoje se resume em materializar a vida, de onde veio isso, meu Deus sumido no caos?
Antes eu queria encontrar Deus, ser um com ele, transcender, achar um sentido pra vida. Hoje o discurso é o mesmo, mas eu só penso na vida, não em Deus.
Não me permito desencanar da vida e seguir rumo à dissolução.
Vivo na confusão, sem direção…
A imperatriz tão desconectada da sacerdotisa não mais acredita na força de sua realeza, esqueceu-se do seu mundo seu cargo e seu trono, vestiu a mascara de mendiga…
E não é que um deus pode ser mesmo um mendigo. Ai está. Fato!
O imperador no meio disso tudo grita como um louco querendo o Poder/Foder, mas também, coitado, não sabe pra que.
Uma vez que nesse caos todo não sobra energia suficiente pra ele construir nada… Fica lá sentado mandando em desmandando, ao lado do trono vazio… Sem que, no entanto nada de real faça… Às vezes nem percebe a ausência da imperatriz… Esqueceu no baú suas ferramentas de mago… Ainda ostenta a coroa, como se de algo lhe valesse.
Louco, louca, todo mundo louco e perdido…
O Hierofante, com seus olhos esbugalhados de tanto olhar para o outro, esta lá na confusão também, todo solicito, todo humilde, trabalhador incansável, sempre pronto a atender aos pedidos de socorro vindos do mundo de fora.
Já que seus talentos não estão sendo usados também pra si, perdeu o sentido da vida, fechou seus ouvidos, só sabe falar. Mas é o escravo com mais liberdade, acredita não estar preso na bagunça, ele vive a ilusão da fuga do amor ao próximo… Lá ele caminha… Cada um na sua…
E eu vendo isso sem saber quem socorro primeiro… Pobres crianças, cegas e sem carinho.
Como posso começar o caminho de novo, se louco estão todos…
Ate sei o que deve acontecer, teoricamente a imperatriz precisa voltar para o imperador, para que ambos sejam ao mesmo tempo mago/imperador, sarcedotisa/imperatriz… Mas como fazer o hierofante me indicar um caminho se ele só olha pra fora agora?
Nem sei mais se acredito em sagrado, seja anjo, seja deus, seja copo, seja arvore…
O que é sagrado sem alguém para sacralizar? Meu corpo é sagrado? Quem disse? Quem o fez sagrado que não da as caras, mas dá as cartas…
Minhas emoções também obviamente não são sagradas, qual o conceito de sagrado?
Vejamos, sentir dor ao invés de prazer, isso é sagrado? Não, destrói o corpo… Como pode ser sagrado se dessacraliza o que deveria ser sagrado?
O que tem de sagrado em tudo o que penso?
O que tem de sagrado no fato de vender a imagem do deus? E nem assim, onde está mesmo o deus pra eu vender???
É pra mim horrível escrever isso. É assinar o estado de nula contemplação.
A diferença entre eu e eu/louco é que o louco tem a inocência aliada à crença de que tudo vai dar certo. E eu?
Eu nada… Nada sai de coerente do caos interior.
Sem a inocência, é tudo conhecido, assimilado, tatuado, ferido, cortado e marcado.
É como escutar um provérbio, você já sabe como vai acabar. Eu já sei de tudo isso e mesmo assim de nada serve.
Ta aqui o puro observador narrando e mesmo assim sem nenhuma idéia genial.
E é isso, cansa-me girar no mesmo contexto. Enfadonho momento…
E um “Viva” murchoso para as descobertas sem alterações…
E um “Cansei” sem força, cansei de ser borboleta… Cansei de rodar… Cansei da imperatriz louca… Do imperador megalomaníaco, do hierofante orgulhoso, do mago acomodado, da sacerdotisa inutilmente velada, cansei principalmente do louco, essência de todos…
Onde está deus?
Quebrei o “Eu” em pedacinhos, mas mesmo nos espaços do “Eu”, habita o vazio. E se o deus for esse que observa, este que vos fala, a busca se encerra.
E que merda, era pra isso?

Pensamento em suspenso
Vou colocar meu corpo desacralisado exposto ao sol.
Quem nasce quando morre a borboleta? Cinzas da borboleta morta e mais um vazio.
A borboleta que não é o reflexo do sol, não sou uma menina pulando com asinhas nas costas… Asa de borboleta cega e eu adorava coçar meus olhos com minhas asas, enquanto minhas mãos se ocupavam em fazer bolinhas de sabão…
Eu acreditava no sagrado!

amor é a lei????????????????

•06-maio-2008 • 6 Comentários

E eu  que sempre achei que soubesse o que era o amor!

Assim simplês, sem muito explicar… Duas pessoas que querem caminhar juntas, que precisam do contato, precisam do cheiro e da pele.
Mas existe um algo mais, um que de infinito e misterioso que não é em todo amor manifesto.
Vivi alguns amores, amores que foram amadurecendo e se transformando.
Vivi amores que acabaram na linha de um furacão.
Vivi amores que não passaram de alucinação.
Vivi amores pela metade e amores completos…
Mas nunca acabou o vazio da alma.
Tenho um amor de alma.
E minh‘alma vazia do amor que preencheria esse espaço.
Esse amor existe tanto quanto a dor de não viver.
E uma sensação de morte.
Morte de um amor que não chegou a crescer, não chegou a se desenvolver. Como um aborto, penso nisso com a dor de quem aborta sem querer.
Não existe grito desesperado, nem palavra cautelosa que reverta à situação.
E minha alma sozinha chora… Chora por dentro.
Mantém reluzente a capa de invulnerabilidade e aceitação passiva.
Mas que droga, é assim a vida? Lutar pra encontrar um grande amor e não viver esse amor.
Já não há lagrimas reais e o mar emocional é como uma fonte de cristal que jorra água lavando tudo com meu choro contido.
O desespero toma partido do mar e causa revoluções. E a esperança não quer ver o dia do luto chegar.
E foram tantos anos, esperando o mundo se ajeitar, esperando tudo estar no lugar certo na hora certa. E quando isso aconteceu. Minha alma gritou tanto, rouca, perdeu a voz no amor do outro.
E o toque de alma foi a despedida…
Eu respiro fundo e dou um passo, arrastado e sem vontade, forçado pelo instinto de sobrevivência… E mais um passo… E outra respiração. E mais um passo,… para longe de você, para dentro do amor… Por que amor que é de tão velho, amor azeitado, não enferruja, ta lá sempre reluzente. Tortura de minha alma. Amor da minha vida.
Vida sem o amor.
E lagrimas reais, minha alma toma conta do corpo, enfiada em mim, chora o irreal, o impossível, chora o sonho não realizado e a esperança que não acaba.
Chora a impotência do controle e a dor de ver o sonho virando pó.
Chora por que não vê sentido na vida sem o amor.
E chora pra perdoar a si por não perdoar o outro.
Eu penso que vou ter sempre em mim um túmulo de bebê. E quando o passar dos anos calar a ausência, eu vou olhar pra trás e chorar a felicidade idealizada e não vivida.
E será que vou achar triste ou romântico?

Quando a dor cede lugar á calma. A prece de minh’alma se torna audível pra mim. E eu e ela em coro cantamos a esperança.

“Que o dia do Sol chegue e as crianças possam vestir asas coloridas e de mãos dadas , caminhem o tempo do hoje.”

E nos vejo entre arco-íris de amor.
E me perdôo pelos pensamentos ruins.
Esperando nosso amor se encontrar…

 
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